18/03/26 Por: em Destaques Comentários

O mendigo comunitário

Todo mundo conhece aquele vira-lata que a rua inteira adotou sem combinar. Ninguém é dono, mas todo mundo bota comida. Ele late pra estranho, espanta motoqueiro fazedor de grau, e ainda é fofo. Custo zero para os moradores. Aí eu pensei: Por que não existe o mendigo comunitário?

A lógica é exatamente a mesma. Você pega um morador de rua, a vizinhança adota, cada um contribui um pouquinho, um marmitex aqui, um agasalho ali em troca ele “presta serviço” pra comunidade. Ele fica ali, estrategicamente posicionado na esquina, impedindo que outros mendigos entrem na rua. Porque mendigo comunitário é territorial. Assim como o cão comunitário não deixa outro cachorro encostar, o mendigo comunitário olha torto pra qualquer concorrente que apareça. E as funções são basicamente as mesmas do vira-lata: Late, digo, grita caso outro mendigo se aproxime. Fica de guarda à noite, porque ele já tá acordado mesmo. O mendigo não dorme, ele só descansa. Há uma diferença filosófica importante aí. E se necessário… esfaqueia o meliante! Isso o cachorro não faz.

Então tecnicamente o mendigo comunitário seria superior ao cão comunitário em pelo menos um quesito de segurança. Dependendo do humor, ele poderia fazer pequenos serviços, uma vez uma pessoa se ofereceu para levar embora um armário desmomntado que deixei na porta de casa, em troca de 20 reais. Ele jogou as madeiras velhas na esquina, mas é melhor do que deixar na porta da minha casa, e se alguém me acusar de jogar lixo em local impróprio, não fui mesmo. O Mendigo pode fazer esse tipo de tarefa.

O mendigo comunitário seria, sob qualquer métrica séria, um cão comunitário com custo-benefício superior.

Seria legal essa ideia?

 
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